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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Terminei hoje o visionamento da última semana de emissões do The Tonight Show with Conan O'Brien. E que semana! Como um dos convidados disse a determinada altura, dirigindo-se para o ruivo mais famoso da América, "you're on fire!".
Parece que a inevitabilidade do que aí vinha travestiu o Tonight Show de tal forma que as audiências aumentaram quase para o dobro, e a loucura foi de tal forma exponencial que relembrou os bons velhos tempos do Late Night. Regressaram personagens saudosas como o urso masturbador ou o cão Triumph, e as piadas voltaram a ser mais acutilantes e desprovidas de "politicamente correcto" para não ferir as pobres mentes do midwest puritano. Por várias cidades realizaram-se manifestações de apoio a Conan O'Brien, isto para não voltar a falar do movimento pró-Conan cada vez maior que se espalhou pela internet.


O que os executivos da NBC fizeram foi uma amálgama de más decisões, mas a mais grave de todas ainda está para vir. É que Conan O'Brien é o anfitrião por excelência da geração dos 20/30 anos de idade, uma fatia em que tanto Jay Leno como David Letterman pouco terão a dizer. Na minha opinião foi essa a razão principal da descida de audiências do Tonight Show durante o curto reinado de Conan O'Brien. É que muitas dessas pessoas têm actualmente outras formas de ver televisão, ou simplesmente outros media pelos quais seguem os seus programas, noticiários e documentários. A internet democratizou o visionamento de conteúdos de tal forma, que hoje pensar em timeslots publicitários como se fazia há duas décadas devia ser impensável, até mesmo um arcaísmo. Mas não é, como o provaram os inanes senhores que administram aquela que já foi a maior casa televisiva dos Estados Unidos.
Quando Conan O'Brien regressar (e acreditem que ele vai mesmo regressar, seja na FOX ou noutro canal qualquer), será para apostar num talk-show voltado para as audiências do futuro, tal como tentou fazer com o Tonight Show, onde a maturação deveria esperar não uns meros sete meses, mas dois ou três anos, até que os miúdos que agora têm os tais 20 anos de idade comecem a ficar em casa à noite para ver os seus programas, seja através da tradicional transmissão televisiva, ou ainda melhor pelos streamings de vídeo cada vez mais evoluídos e rápidos da internet, e sem o constrangimento das horas.
No ocaso do Tonight Show with Conan O'Brien passou um autêntico desfile da actual geração de comediantes americanos. Por lá estiveram Adam Sandler, Ben Stiller, Ed Helms, Steve Carell (que representou um empregado da NBC fazendo a corriqueira entrevista de saída da empresa ao empregado demissionário) e Will Ferrell, que cantou no último suspiro do programa, acompanhado de uma banda de notáveis, com o próprio Conan na guitarra (!!), Ben Harper, Beck, Billy Gibbons (dos ZZ Top) e toda a banda do Tonight Show, com Max Weinberg na bateria. Eis a despedida de Conan O'Brien, para os mais nostálgicos, com o sentimento de que o famoso "I'll be back" nunca fez tanto sentido como agora.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


Se há apresentador de talk-shows sem o qual eu não consigo passar é Conan O'Brien. Vejo o programa deste senhor desde 1996, através da velhinha parabólica que o prédio onde vivo mantinha com alguns canais, entre eles a NBC (Europa? Não me recordo...). Ou seja, o Late Night com o Conan tinha naquela época apenas 3 anos de longevidade. E a verdade é que, no princípio, nunca fui grande fã de Conan O'Brien, ao invés de Jay Leno, de quem sempre gostei do approach mais conservador, light e coloquial na stand-up que tradicionalmente inicia este tipo de programas.
Mas a verdade é que O'Brien cresceu muito com o passar dos anos (e Leno envelheceu mal), consolidando um estilo muito próprio de fazer comédia, muitas vezes demasiado física para alguns, ou demasiado estúpida para outros.
Eu diria que é uma comédia "nonsense", ao bom estilo Monty Python. É de um "nonsense" mais fresco, inicialmente voltado para um público mais jovem (que entretanto envelheceu, como é o meu caso), que Conan apostou após uns fracos primeiros anos de audiência nos Estados Unidos. E resultou. Não só muitos sketches do Late Night se tornaram autênticas lendas da TV (um dos meus favoritos é Triumph, o cão insultuoso e comediante, por esta ordem), como o próprio Conan se tornou uma imagem de marca. Mesmo quem não gosta concerteza reconhece a gigantesca madeixa ruiva do apresentador, que se tornou um ícone, e a dança de marioneta sem fios com que brindava os espectadores ao início de todos os programas. Esta já não a faz com tanta regularidade no Tonight Show, numa clara tentativa de agradar às audiências mais velhas do antigo programa de Jay Leno.
A NBC começou há perto de 7 meses a fazer experiências absurdas, atacando o prime time americano com um novo programa de Jay Leno, e abdicando das séries de ficção. Ora a coisa (obviamente) não resultou face à concorrência, que manteve a ficção de CSI's e companhia no mesmo horário. E o que faz agora a NBC? Para tentar não perder a sua galinha dos ovos de ouro, pretende reinstalar Jay Leno no horário do Tonight Show (que este já apresentou e é agora de Conan O'Brien), obrigando a adiar este último para um horário das 00:05, adulterando o formato e horário de um programa lendário que nunca foi alterado desde os anos 1960, altura em que o Tonight Show foi apresentado pelo lendário Johnny Carson (o programa, esse, já existia desde os anos 1950).
Conan O'Brien não gostou, e já faz saber a sua opinião publicamente. Com toda esta telenovela a NBC está prestes a perder o americano-irlandês ruivo mais famoso da televisão, e a antagonizar Jay Leno face ao público que (ainda) vê a NBC.
Para bem deles, espero que encontrem uma solução para todo este imbróglio, mas pessoalmente acho que o mal está feito, e Conan vai mesmo sair.
Pela internet corre uma vaga de apoio a Conan O'Brien, do qual destaco a imagem que apresento aqui no Espigas, criada por Mike Mitchell, e que o autor encoraja a ser usada por blogs e sites do mundo inteiro.
Como se diz na internet cloud actualmente, I'M WITH COCO!