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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Anda tanta gente por aí a escrever (boas e más) críticas de cinema, que para o renovado Espigas decidi fazer a coisa de outra forma.
Primeiro porque já não tenho nem a paciência nem o tempo de outras épocas para teorizar sobre filmes como fiz noutros tempos em alguns sites e no antigo Espigas. Depois porque, como referi, há por aí muito boa gente que o faz bem melhor que eu. Vou simplesmente classificar os filmes, porque sou um gajo que gosta de classificar as coisas, e acrescento um ou outro ponto que me pareça efectivamente pertinente.
A classificação será a mesma que coloco na minha conta do Imdb, numa escala de 0 a 10. E aqui vão os meus primeitos bitaites:

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Classificação: 7 espigas
 
Positivo: a revolução tecnológica, em especial os monitores de "preview" do realizador sobre o mundo de Pandora renderizado em tempo real. Para mim essa é a verdadeira revolução no que toca a novidades, como o foi no seu tempo o uso de monitores de Francis Ford Coppola em "One From The Heart" (e que quase o levou à falência pela audácia de tal vanguardismo).

Negativo: a história, demasiado básica e previsível, cheia de moralismos, estereótipos e clichés ambientalistas; também o tão proclamado 3D não me seduziu. Vou tentar ver o filme num ecrã maior (ou até num Imax em Espanha), mas não parece que vá fazer muita diferença. Não vi coisas "em cima de mim" ou "ao meu lado". É apenas um quadro. 3D. Como tantos outros que têm passado no cinema, mas com maior número de pontos brancos nos fatos azuis acrescentados aos actores na hora do motion capture que provocam por vezes uma maior profundidade lateral, em vez do mais primitivo "efeito paralax". Salvam-se as cenas em interiores, onde a profundidade das salas e o "decalque" das personagens é realmente surpreendente.

sábado, 5 de dezembro de 2009


Fui verificar, porque ainda sou daqueles que guarda todos os bilhetes (embora a maior parte já seja imprimida em papel térmico que provoca o desvanecimento das letras com o tempo). Já não vou a uma sala de cinema desde 5 de Setembro, quando assisti ao novo Tarantino. Pior. A sessão anterior fora a 18 de Julho, com a comédia "A Ressaca".
Para alguém como eu, que sempre respirou as salas de projecção, os cartazes, as pipocas ou os ambientes mais selectos do King, é de facto um acontecimento.
Parece que foi ontem que assisti ao primeiro filme no velhinho estúdio S.Tiago, em Castelo Branco, na altura acabadinho de inaugurar com o último grito que vinha dos States: nada mais nada menos que "Top Gun".
Significa que estou definitivamente divorciado do cinema? Pelo contrário. Vejo uma média de 10 a 15 filmes por semana. O problema é que já tenho uma PS3 com leitura de Blue Ray, um belíssimo ecrã LCD FullHD, um disco externo de leitura de ficheiros em DiVX conectado por HDMI, enfim... o básico que um geek precisa para continuar a acompanhar o maravilhoso mundo da sétima arte (ou da sétima e meia, se contarmos a qualidade de algumas séries de TV a passar na actualidade no pequeno ecrã).
Mas o fenómeno é geral. Se descontarmos um ou outro grande blockbuster, cada vez há menos pessoas a ir ao cinema. Por que razão o fariam, se em casa dispõem de todo o conforto e tecnologia para uma experiência muito próxima à das salas escuras? E há que ter em conta toda a pirataria actual, que permite que numa questão de meses, semanas, e às vezes dias, seja possível assistir com qualidade aceitável (de DVD ou BD) um filme que ainda nem estreou no nosso país. Porquê então ir a um cinema? Não sei as respostas. Estou a ser levado por ventos que ainda não sei onde me levarão, mas que não abonam em nada o futuro do cinema enquanto espectáculo exterior de massas em sala paga. Há uma réstea de esperança: que o cinema se reinvente, consiga atrair de novo as pessoas às salas com promessas de novas tecnologias e visionamentos que sejam incompatíveis com o sofá cá de casa (pelo menos enquanto não surgir uma nova geração de TV's ainda melhores, e leitores de discos com mais dados e mais definição, ou simplesmente redes gigantes que nos enviam os filmes para casa pela net numa questão de segundos). Eu diria mesmo que este mês de Dezembro vai assistir ao lançamento de uma das principais armas, uma dessas esperanças da indústria do cinema. Refiro-me a James Cameron e o seu aguardadíssimo "Avatar". Peter Jackson e Steven Spielberg falam maravilhas do sistema inventado por Cameron. Será suficiente? Veremos. Para já, tenho a certeza que este será o próximo filme que me fará regressar a uma sala de cinema. E isso é uma pequena grande vitória.

Editado em 8 de Novembro 2009