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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Black Swan
Classificação: 8 Espigas (em 10)
Positivo - A forma como Darren Aronofski retratou a vertigem da obsessão, o perfeccionismo esquizofrénico, a repressão parental, temas personificados na vitimização de uma (ingénua) bailarina de ballet. Aronofski mostra-nos este mundo artístico, geralmente fechado aos circuitos mais elitistas ou de gosto mais opaco, de uma maneira compreensível ao comum dos mortais. Nem todos conseguiriam fazer tanta gente ir ver um filme com ballet (mesmo que este não seja, afinal, o tema principal); a interpretação magnífica de Natalie Portman, que a transporta para outra dimensão estelar; o ressurgimento de alguns tiques do realizador, que se tinham perdido um pouco em The Wrestler e que são a sua imagem de marca (especialmente no seminal "Pi").
Negativo - As referências base do filme são também a sua limitação artística: "Repulsa", de Polanski ou "A Mosca" de Cronenberg, são clássicos que ganham nesta corrida aos pontos; os efeitos especiais usados na metamorfose em cisne são, por vezes, pouco realistas. Talvez uma solução mais tradicional e subjectiva tivesse bastado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Unstoppable
Classificação: 5 Espigas (em 10)

Positivo - Um filme de Tony Scott é sempre sinónimo de qualidade de produção. Com este Unstoppable acontece o mesmo. É cinema de acção com o neurónio desligado.
Negativo -Embora baseado muito livremente em factos reais, o filme desmorona-se num conjunto de clichés e dramatizações que não acrescentam qualquer emoção; Chris Pine e Denzel Washington em piloto automático (tal como eu, a escrever estas notas para um filme tão imerecido) e sem nada a acrescentar ao seu curriculum, a não ser uns quantos milhares de dólares; O abuso nos travellings e nos filtros sobrecarregados começam a fazer lembrar o infame Michael Bay. Deus nos livre!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Four Lions
Classificação: 8 Espigas (em 10)

Positivo -Sátira inteligente à ideologia (ou falta dela) do terrorismo islamita; humor negro com momentos de antologia (a explosão do corvo é uma delas); a forma como, numa comédia, se espremem os fundamentos do recrutamento de extremistas islâmicos: o medo e a ignorância; as interpretações de Riz Ahmed e Nigel Lindsay.
Negativo - Numa temática tão sensível, é fácil resvalar para o mau gosto. Mesmo que não seja o caso, nota-se em determinados momentos uma certa ingenuidade de conceitos, e um estereótipo que podia ter sido evitado; há momentos demasiado nonsense que se calhar não se enquadram tão bem com a restante subtileza do filme. No fundo, um filme que satiriza o extremismo não se deve... extremar.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Enter The Void
Classificação: 8 Espigas (em 10)

Positivo -O genérico, a plasticidade dos cenários (os néons de Tóquio e outras paisagens artificiais), os visuais, os travellings aéreos, tudo elementos que fazem de "Enter The Void" mais que um filme, uma obra de arte visual moderna, delirante e psicadélica; o impacto com que somos transportados para os momentos chocantes do filme; a sexualidade de Paz de La Huerta; o sexo como ciclo natural de vida e morte; comparado com este filme, até "Irreversible" (o outro filme choque de Gaspar Noé) acaba por parecer normal; o clímax final.
Negativo - A montagem desastrosa; com menos meia-hora de minimalismos, este filme seria uma obra-prima.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

 Mesrine - L'instinct de Mort / Mesrine - L'énnemi Public nº1
Classificação: 6 / 7 Espigas (em 10) respectivamente

Positivo - A história de um dos mais procurados meliantes da história criminal francesa é sempre motivo de curiosidade (um "Bonnie and Clyde" à moda europeia); a viagem aos anos 60 e 70 está muito bem feita, com boa escolha de cenários e um notável grande investimento no parque automóvel; Vincent Cassel em grande forma (como actor, porque no peso físico teve de ganhar 20 quilos para representar Mesrine nos seus últimos anos de vida).
Negativo - Os arcos narrativos são pouco explorados e não contêm  número suficiente de elos de ligação para prender o espectador (o que aconteceu com a sua primeira mulher? Fugiu? Para onde? Porque Mesrine não foi atrás?). Talvez tivesse sido mais eficiente concentrar a história em alguns (poucos) pontos chave da vida de Mesrine e não queimar tanta fita num enredo com tantos fait divers, que impressionam, certamente, mas que em excesso baralham as cartas. Este aspecto sente-se menos no segundo filme, onde a acção concentra-se mais nas fugas de Mesrine nos seus tempos de inimigo público nº1 em França, e no seu assassinato.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

The American
Classificação: 7 Espigas (em 10)
Positivo - Um filme bucólico, onde a personagem mais interessante é mesmo a Itália campestre; as conversas entre a personagem de Clooney e o padre da aldeia (Paolo Bonacelli), o mais interessante de todo o argumento (e que podia ter sido melhor explorado); a cena inicial na Suécia, muito promissora e bem filmada.
Negativo -É mais um filme sobre a romantização do ofício de assasssino a soldo, com pouca originalidade; final demasiado previsível e insatisfatório; George Clooney em modo automático, sem grandes desafios.
The Social Network
Classificação: 8 Espigas (em 10)
Positivo - Um filme de David Fincher é sempre um acontecimento. Basta a qualidade técnica. Fotografia crua, orgânica e em tons negros, e uma forma de filmar que demonstra que Fincher é mesmo um dos melhores do mundo no seu ofício; os diálogos de Aaron Sorkin, como seria de esperar; o estudo sobre o impacto social das redes na internet e a solidão que as acompanha, paradoxal ao número gigantesco de "amigos" no Facebook; a interpretação de Jesse Eisenberg.
Negativo - Conforme tive oportunidade de ler em diversos artigos, o filme não só não tem o selo de aprovação de Zuckerberg, como existe de facto uma dramatização e especulação exagerada na história, o que pode levar muita gente a pensar que aquilo se passou mesmo assim, o que é em grande parte incorrecto; o enredo é bom, mas não é do outro mundo, revelando alguma superficialidade nos temas, nas personagens, e na moral e mensagem da história.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Inception

Classificação: 8 Espigas (em 10)

Positivo - Uma realização magnífica de Christopher Nolan, a que já nos habituou até nos seus trabalhos menos conseguidos (Insomnia); fotografia também de excelente qualidade, com a assinatura habitual de Nolan e o seu parceiro neste domínio, Wally Pfister (que o acompanha deste Memento); A dinâmica da história é de cortar a respiração, assim como os puzzles montados para aliciar e provocar o espectador; Grande trabalho do actor inglês Tom Hardy, assim como de Leonardo DiCaprio, que é para mim o nome maior dos estúdios de Hollywood para este princípio do século XXI. Veremos se mantém a aura e não a desperdiça como Tom Cruise ou Kevin Costner (em contextos diferentes); o final ambíguo.
Negativo - Onde é que já vi isto de andarmos todos aos saltos e aos tiros num mundo virtual (neste caso o dos sonhos) onde as regras da física não se aplicam? Ah, sim: Matrix.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

The Ghost Writer

Classificação: 8 Espigas (em 10)

Positivo -Mais um filme de Polanski que nos remete para a sua veia de criador de thrillers, desta vez de cariz político, com mérito de figurar ao lado de Frantic ou Ninth Gate; Ewan McGregor e Pierce Brosnan vão muito bem, além de Olivia Williams; A belíssima fotografia de Pawel Edelman e a forma como as paisagens da ilha de Sylt, na Alemanha, foram caracterizadas para parecerem a bem americana Martha's Vineyard; a subtileza de uma história como esta é uma bênção nos dias que correm.
Negativo - Kim Cattrall, muito fora do seu glamour de Sex and The City, não convence; ver Timothy Hutton tão desaproveitado no papel de um advogado deixa-me triste pela carreira deste excelente actor; apesar de ter um twist, o final é previsível.
Kick-Ass

Classificação: 9 Espigas (em 10)

Positivo -A sátira pefeita ao mundo fantasioso dos super-heróis, baseada na excelente BD de John Romita Jr. e Mark Millar; a realização de Matthew Vaughn, senhor que ainda não me desiludiu (fez o magnífico Layer Cake e o surpreendente Stardust); Hit Girl, Hit Girl, Hit Girl, ... ah! E também a Hit Girl (desempenhada com muito mérito pela pequena Chloe Moretz de 13 anos)!! Nicolas Cage reabilitado no papel de Big Daddy.
Negativo - O actor de quem esperava mais, Christopher Mintz-Plasse (que foi genial no papel de Fogell em Superbad), acabou por ser aquele que menos conseguiu "espremer" da sua personagem; à medida que nos aproximamos do final a fantasia aumenta, a provar que não é fácil separar os super-heróis do irreal e ilusório, que aqui (tratando-se de uma sátira) se queria reduzido ao mínimo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Zombieland
Classificação: 7 Espigas (em 10)

Positivo - Uma resposta americana a outro filme (Shaun of The Dead) sem que fosse necessário um remake! Esta fita é mesmo original e muito divertida. Algo raro nos dias em que vivemos; o "cameo" de Bill Murray é hilariante; A história é simples, curta e grossa (neste caso, gory!), como um bom filme de zombies deve ser; a proporção entre comédia e terror está muito bem equilibrada (com a apetência para a comédia a vencer, como é suposto num filme que não se leva a sério); Woody Harrelson vai muito bem, e podia ter um filme só dele baseado nesta sua personagem; as caracterizações dos zombies, e a forma como os desgraçados correm!
Negativo - É claro que Shaun of The Dead continua a ser superior, nem que seja por algum puritanismo e falta de ideias que os britânicos evitaram, mas os americanos não, além do brilhante Simon Pegg e um argumento mais "sumarento"; Jesse Einsenberg e Michael Cera são o protótipo do herói jovem geek que consegue a miúda no fim, mas esta "vingança nerd" já começa a ser demasiado repetitivo.

Classificação: 5 Espigas (em 10)

Positivo - James Purefoy é um Senhor neste tipo de papéis; a produção até tem os seus momentos bons, se tivermos em conta que este não é um filme americano (logo, não tem um orçamento descomunal).
Negativo - O argumento parece tirado de um jogo de consola, com monstro de final de nível e tudo; as personagens são demasiado estereotipadas, e o argumento simplista e até infantil, com clichés uns atrás dos outros; o uso excessivo de filtros na fotografia é suposto dar uma atmosfera sombria e gótica a estas fitas, mas quando usado por mãos inábeis (como é o caso) só faz é estragos, tornando a coisa muito artificial (é mal geral dos filmes desta década, não somente deste); história previsível.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Esta semana fiz uma sessão dupla de terror cá em casa. Eis a minha avaliação aos dois filmes:

 Classificação: 5 Espigas (em 10)

Positivo - Ethan Hawke e Sam Neill, (quase) sempre excelentes actores dispostos a arriscar em nomes desconhecidos (Gattaca foi a piece de resistance de Hawke nesta área); a premissa curiosa de mostrar um mundo onde quem reinam são os vampiros, e não o contrário; o aspecto gótico bem conseguido de algumas cenas.
Negativo - Fotografia saturada, efeitos em câmara lenta, CGI em doses loucas, enfim... todos os ingredientes exagerados, que mais dois realizadores novatos (e irmãos) usam e abusam para tentar convencer o público de que são realizadores de cinema a sério. Keep it simple, stupid! Não vão lá com tanta parafernália; a história descamba para mais um milhão de clichés, diálogos parvos, e um desenvolvimento parecido a um videojogo (com uma solução para o vampirismo absolutamente ridícula). Onde é que já vi isto um milhão de vezes? Willem Dafoe, que raio de personagem é essa, pá? Finalmente, as cenas estúpidas que são um vírus no cinema de terror actual em que alguém se lembrou de fazer passar um vulto no ecrã com um som assustador no máximo volume para nos obrigar a saltar da cadeira. Irritante e desnecessário. Se isto metesse mesmo medo, não era preciso esses artifícios.

Classificação: 6 Espigas (em 10)

Positivo -Benicio del Toro sustenta todo o filme com o seu trabalho; bem filmado, com muita competência e profissionalismo por Joe Johnston (o mesmo de Jumanji ou Jurassic Park 3, e que brevemente lançará a versão cinematográfica do Capitão América); os efeitos especiais do lobisomem, com uma maravilhosa homenagem aos clássicos da Hammer.
Negativo -História básica, muito fraquinha e previsível; Emily Blunt é bonita, mas supérflua; os tiques de Anthony Hopkins na sua personagem de Van Helsing no Dracula de Coppola estão todos lá, o que demonstra que o velho actor chegou ao seu limite interpretativo, ou deve explorar novos caminhos; demasiada banda sonora estraga a tensão que poderia ter sido assustadora em alguns momentos. Assim, raramente o susto me levantou da cadeira.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Shutter Island

Classificação: 7 espigas (em 10)


Positivo -Di Caprio em mais uma performance excelente, a mostrar porque Scorsese o escolheu para sua "musa"; o formalismo impecável de Scorsese a filmar; a história em geral, baseada no livro de Dennis Lehane (Mystic River e Gone Baby Gone).
Negativo -Este é daqueles filmes que dificilmente me conseguiria conquistar à primeira, embora a ansiedade e curiosidade de o ver fossem muitas. É que tive oportunidade de ler o livro há cerca de um ano, e nada do que ali se passa é novidade para mim (nomeadamente o "twist" final). De qualquer forma, posso acrescentar que a história foi cinematografada de forma correcta, com respeito pelo material original, embora também aqui tenha notado (como no livro) alguma previsibilidade nos acontecimentos. Há quem aponte acusações de plágio a Dennis Lehane pelo romance. Depois de ver excertos do filme de que se fala (O Gabinete do Dr. Caligari) fico com algum amargo de boca. O que não gostei muito foi o aspecto demasiado artificial e limpinho da ilha (tecnicamente, não na imagem per se), dos ambientes (demasiado assépticos e digitalizados), e o uso exagerado da fotografia com filtros. Há noir, há escuro, há névoa e gótico, mas estes ingredientes querem-se mais "sujos" e orgânicos. Não é a primeira vez que Scorsese o faz ("The Aviator", por exemplo), mas desta vez foi um pouco longe demais. Por outro lado, desiludiram-me as cenas na "enfermaria C", a dos prisioneiros mais perigosos, que no livro está retratada de uma forma mais negra, e onde Jackie Earle Haley vai muito bem, mas não chega para amedrontar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

The Man Who Stare at Goats

Classificação: 8 Espigas (em 10)

Positivo -Saber que uma parte desta história (mais do que aquilo que se poderia esperar) aconteceu mesmo; Jeff Bridges, George Clooney, Kevin Spacey, o triunvirato genial da imbecilidade e idiotice: um elenco perfeito; algumas cenas que podem vir a transformar este filme numa obra de culto (ao estilo do grande Lebowski), como a declaração a McGregor (mestre Jedi nos Star Wars) de que Clooney é um "verdadeiro" Jedi, ou o plano geral onde se vê o carro de Clooney e McGregor rebentar à passagem por uma mina, para não falar da célebre morte da cabra...

Negativo -Há quem compare com a obra dos irmãos Coen ("O Brother, Where Art Thou?", "The Big Lebowski", "Burn After Reading", a trilogia da idiotice). É verdade. As semelhanças são muitas, e Clooney já jogou neste campeonato (da personagem absolutamente idiota) vezes demais (o que fariam os Coen deste material?). No entanto, acho que o filme acrescenta algo de novo: os factos reais, a exploração do que um exército pode chegar a fazer para ganhar uma guerra; apesar de até achar o seu trabalho como actor muito interessante, não gostei de ver Ewan McGregor. Em baixo de forma...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Surrogates

 Classificação: 6 Espigas (em 10)

Positivo - A premissa do filme é muito interessante, embora copiada a papel químico de muitos clássicos de ficção científica; bom entretenimento "pipoqueiro", com uma salada de filosofias cyberpunk esmagadas em hora e meia de fita.

Negativo - Quero o Bruce Willis dos anos 1980 de volta! Este já gastou as pilhas; a utilização fraca e mal explicada da tal premissa do filme, em que pessoas agem e vivem o seu dia-a-dia através das suas cópias robóticas no mundo real, tornando a sociedade uma coisa asséptica e artificial; Alguns efeitos especiais são fraquinhos, especialmente para a época "Avatar" em que vivemos.

terça-feira, 9 de março de 2010

Os Oscars

Lá se passou mais uma edição da grande festa da Academia americana de cinema, evento que pela sua projecção e importância afecta directamente os mercados do filme em todo o mundo, independentemente de se concordar ou não com as nomeações e os premiados.
Com a diminuição drástica de espectadores nos últimos 10 anos, a cerimónia de entrega dos Oscars tem passado por sucessivos tubos de ensaio. Este ano não foi diferente. Em vez de contar com um único apresentador, a Academia decidiu apostar em dois: Steve Martin, que já apresentara a solo a cerimónia, e Alec Baldwin, actor actualmente em estado de graça pela sua participação no elenco de 30 Rock, série cómica da NBC que relançou a sua carreira. A química dos dois actores foi interessante, embora tenha pecado por saber a pouco. É inevitável sentir saudades de Billy Crystal, o protótipo de apresentador por excelência. O ano passado Hugh Jackman andou lá perto, com os números de dança e uma veia cómica que não se lhe conhecia no mainstream. Mas Crystal é Crystal.
No entanto, parece que as audiências responderam positivamente a este formato, onde também os discursos de agradecimento foram diminuídos ao máximo, algumas estrelas do firmamento teen foram adicionadas aqui e ali (Miley Cyrus e Taylor Lautner, por exemplo), e até a tradicional apresentação das músicas a concorrer ao Oscar de melhor canção original pura e simplesmente não existiu.
De positivo fica para a história a entrada em palco do inigualável Ben Stiller, maquilhado de Na'vi, paródia que já fizera em anos anteriores (ou eventos diferentes) com outras personagens fictícias ou bem reais do mundo do entertainment. Também interessante foi o número de dança de abertura com Neil Patrick Harris, outro actor de televisão com destaque no público mais jovem (brilha na série "Foi Assim que Aconteceu - How I Met Your Mother"), que esteve bem, embora sem fazer esquecer a brilhante perfomance do ano passado de Hugh Jackman.
O mais fraco da cerimónia foi, sem dúvida, o número de dança a apresentar as bandas sonoras originais nomeadas ao Oscar. O espectáculo foi proporcionado por um grupo que coreografou e interpretou cada uma das músicas com passos de break-dance. Muito pobre, pouco original, e algumas vezes completamente fora de contexto (a música de UP transformada em break-dance? Hugh...).
Quanto aos nomeados, no meu entender fez-se justiça. The Hurt Locker foi, na minha opinião, o filme do ano passado que mais argumentos tinha para sair vencedor, e até consta da minha lista de best of. Avatar ficou-se pelos galardões técnicos, que também merecia, mas perdeu em todas a linha nos restantes departamentos. É justo, tratando-se de um filme com uma história tão básica e roubada a clássicos (Pocahontas é sempre o mais nomeado).

domingo, 31 de janeiro de 2010

The Road

 
Classificação: 8,5 Espigas (em 10)

Positivo -Excelente adaptação do livro (também excelente) de Cormac McCarthy; Uma fotografia a condizer com o teatro pós-apocalíptico; a interpretação sublime (não só pelo desafio físico) de um actor, Viggo Mortensen, que já merecia uma nomeação aos Oscars; a química muito bem conseguida entre pai e filho, afinal o tema principal do livro, graças ao bom casting do miúdo Kodi Smit-McPhee; o filme é um autêntico ensaio sobre a desumanização e... o amor. Parece demasiado paradoxal? Vejam o filme!.

Negativo - Algum academismo no modo de filmar, que se perdoa pelo escasso currículo do australiano John Hillcoat (que, no entanto, já dirigiu um outro bom filme: The Proposition, com argumento de Nick Cave). Não consigo deixar de imaginar o que teriam feito Alfonso Cuarón ou David Fincher (os meus dois fétiches para filmes com tendências depressivas).

sábado, 30 de janeiro de 2010

Mais uma fornada de filmes que vi nos últimos dias:

2012

 
Classificação: 5 Espigas (em 10)

Positivo -O realizador Roland Emmerich especializou-se em introduzir nos seus blockbusters, de forma ligeira e algo subliminar, mensagens políticas e de activismo social bastante construtivas. Já o fizera em "The Day After Tomorrow" - a cena da evasão da população americana para o México, com o país latino a reivindicar o perdão da dívida externa para deixar entrar a população assustada é, no mínimo, inteligente.
Voltou a fazê-lo agora, com os ricos e poderosos a ter entrada directa nas enormes arcas de salvamento através de pagamentos astronómicos que os colocam à frente da população em geral. São tudo avisos pertinentes.

Negativo -Irritam-me profundamente os filmes de acção que pretendem dar algum cariz dramático e sério à história e depois incluem cenas de acção onde as personagens gritam como se estivessem a passar pelo loop de uma montanha russa.
Se quisesse jogar um jogo de computador ligava a minha PS3. 2012 é um imenso jogo cheio de níveis do princípio ao fim. Se essa era a premissa com que deveríamos começar a ver o filme, não deveriam incluir cenas demasiado pretensiosas. Além disso a previsibilidade da história alastrou para outros aspectos. Até os efeitos especiais são previsíveis, tendo em conta a quota gigante que Emmerich já conta no seu curriculum de filmes-catástrofe. Homem, faça outra coisa na vida!
O elenco estereotipado é de uma nulidade confrangedora, John Cusack incluído (um actor que até aprecio).

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Classificação: 8 Espigas (em 10)
Positivo -O timing em cheio do filme, numa época de downsizing nas empresas um pouco por todo o mundo; a forma como nos mostra com crueldade e algum humor negro a sensação de ser despedido; o trabalho não só de George Clooney, como de Anna Kendrick; a maneira brilhante como Jason Reitman filma a solidão na era moderna, com uma fotografia a condizer e alguns planos muito bonitos.

Negativo - Na recta final perde algum fôlego, apesar do twist na história. Não gostei em especial da viagem de Ryan (George Clooney) para o casamento da irmã, onde há algumas cenas demasiado lamechas e que tornam o filme um pouco meloso no seu todo. Não havia necessidade, porque até aí o equilíbrio entre comédia e drama estava perfeito.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Para compensar a minha ausência na última semana destas lides bloguísticas, registo não uma, mas duas críticas a filmes que vi nos últimos dias. Voilá:

Where The Wild Things Are

Classificação: 7,5 Espigas (em 10)

Positivo -A forma extraordinária como a narrativa nos transporta para a mente de uma criança, com toda a sua simplicidade e ingenuidade, com destaque para os lados bom e mau, sem a afamada "grey area" que o crescimento irá inevitavelmente trazer; o decalque brilhante do quão cruel pode ser uma criança; a banda sonora de grande qualidade; a voz de Gandolfini como Carol; os bonecos e a forma como foram animados.

Negativo -Não é nem um filme para crianças, nem propriamente um filme para adultos (digamos que passa por carne com cheiro a peixe), o que poderá ser-lhe fatal no box office; numa história tão simples (é baseado num livro de Maurice Sendak) admito que seja difícil extrair uma longa metragem, mas o filme tem alguns momentos em que se nota que teve de ser esticado.

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Classificação: 6 Espigas (em 10)

Positivo - A mistura bem conseguida entre um filme para audiências "fáceis", com muita tecnologia e acção a rodos, e um filme "puro Sherlock Holmes", mais ortodoxo, com inúmeras referências ao verdadeiro universo da personagem na sua base literária; Robert Downey Jr. consegue surpreender-me quando pensava que isso já não fosse possível - uma aposta arriscada mas frutífera num actor americano; Se me permitem a comparação com o mundo da banda desenhada, este filme é um exemplo do que deveria ter sido a adaptação da Liga dos Cavalheiros Extraordinários (o desastre cinematográfico que fez Sean Connery abandonar a indústria dos filmes).

Negativo - A história é demasiado previsível e repleta de gags humorísticos que desvirtuam o ambiente requerido para um filme de Sherlock Holmes; o CGI da construção da Tower Bridge pareceu-me um pouco artificial; o final foi pouco compensador, com um twist algo patético, embora surja no horizonte a sequela (garantida) com o verdadeiro grande vilão de Sherlock Holmes, o professor Moriarty.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Invictus


Classificação: 7 Espigas (em 10)

Positivo - Um filme inspirador, não se tratasse de uma história verídica, com Morgan Freeman a representar de forma brilhante Nelson Mandela. É daqueles filmes em que o desporto é "larger than life", e de uma selecção de râguebi (os Springboks) se consegue unir toda uma nação. Numa escala mais pequena e menos dramática, faz lembrar a nossa caminhada para a final do Euro 2004. De salientar também a fotografia, que respira África por todos os poros (afinal foi mesmo filmado nos sítios onde tudo ocorreu), e o realismo com que Clint Eastwood soube apaziguar o que poderia ter sido uma tremenda xaropada. Se os nossos Lobos nos fizeram gostar mais de râguebi, este Invictus tem tudo para despertar o povo tuga para esta nobre modalidade. A que, como se diz no filme, "é um jogo de hooligans jogado por cavalheiros, ao contrário do futebol, um jogo de cavalheiros jogado por hooligans". Bingo.

Negativo - Terá sempre aquele "feeling" de filme biográfico, com tiques que estamos habituados a ver em algumas produções do género. Apesar do realismo de Eastwood (na minha opinião um ponto positivo para o filme), talvez não tivesse ficado mal imprimir mais dramatismo aqui e ali em alguns pormenores (no decorrer do jogo da final, por exemplo?), para não tornar o filme algo insípido. Mat Damon está bem caracterizado, mas é provável que um actor mais desconhecido (e menos... americano) teria sido uma mais-valia.